terça-feira, 28 de agosto de 2007

Representantes da sociedade civil criticam testes de rádio digital sem método definido

Alessandra Bastos
Agência Brasil
26/8/2007

Brasília - A falta de uma metodologia que traga critérios e parâmetros para os testes com a nova tecnologia digital é a principal crítica dos especialistas e das entidades civis que fazem parte do conselho consultivo criado pelo Ministério das Comunicações para a digitalização do rádio no país. “Os testes foram feitos sem a existência de uma metodologia que pudesse dar unidade a eles”, diz a representante da Universidade de Brasília (UnB) no conselho, Nelia Del Bianco.

O representante da Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital no conselho, Jonas Valente, reclama: “Não há uma avaliação concreta sobre as tecnologias. Não há nenhum técnico do Estado acompanhando esses testes. Vai haver só uma coletânea dos relatórios”, reclama. A Frente representa cerca de cem entidades da sociedade civil.

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, declarou que a decisão do governo sobre a adoção de um sistema digital não será feita antes da entrega dos resultados dos testes com o padrão norte-americano e da posterior análise, mesmo que seja preciso prorrogar prazos. Mas disse também que não irá esperar a realização dos testes com o padrão europeu DRM, que estão atrasados. A idéia é que o país adote os dois sistemas. O norte-americano para as rádios AM e FM e o europeu para as rádios de ondas curtas (OC).

Para a professora da UnB, mesmo os testes feitos com o o sistema de rádio digital norte-americano In Band – On Chanel (Iboc) são de pouca serventia. “Você não pode comparar o resultado dos testes, uma vez que há divergência sobre a forma de realização dos mesmos”, diz, referindo-se à falta da metodologia.

A metodologia que deverá ser aplicada pelas rádios AM no testes com o padrão americano Iboc foi encomendada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) à UnB e já está pronta. A metodologia passou por um processo de consulta pública e os resultados estão sendo agora analisados pelos técnicos da Anatel. A metodologia poderá ser usada a partir do momento em que for publica no Diário Oficial, e a previsão da Anatel é que isso ocorra em um mês.

Entretanto, a metodologia para testes na faixa FM com o padrão americano e na freqüência ondas curtas (OC) com o padrão europeu DRM ainda não foram concluídas. As duas, depois de prontas, também passarão pelo processo de consulta pública. A Anatel não têm previsão de quando os testes poderão ser iniciados. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), cujas rádios membro realizam os testes com o Iboc, informou que as emissoras não terão que refazer os testes depois que a Anatel publicar a metodologia. Os relatórios dos testes com o Iboc serão apenas adaptados, diz o presidente da Abert, Daniel Pimentel Slaviero.

“Não há necessidade de novos testes. Não precisam de mais testes AM e FM, porque eles já vêm ocorrendo com as 15 emissoras que já estão no ar. O que realmente precisa é de uma consolidação desses números de uma maneira uniforme, que são os critérios propostos pela Anatel”, explica Slaviero.

De acordo com o ministro Hélio Costa, 21 rádios espalhadas por quase todas as capitais brasileiras já operam em testes com o Iboc. Dessas, 15 emissoras - localizadas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre - são registradas na Abert.

Organizações civis temem que sistema norte-americano de rádio digital inviabilize novos canais

Uma das principais preocupações das rádios comunitárias e dos profissionais que nelas trabalham é como ficará o espaço eletromagnético com a chegada da rádio digital. Será possível ampliar a oferta com novos canais? Haverá aumento da concentração?

Para entender melhor o que vem sendo discutido recomendo a reportagem de Alessandra Bastos, da Agência Brasil, datada de 26/8/2007:

Organizações da sociedade civil que participam do conselho criado pelo Ministério das Comunicações para assessorar a escolha do padrão de rádio digital no país tem receio de que o sistema norte-americano, chamado Iboc, impeça a entrada de novas rádios no dial do rádio. As emissoras compartilham um espaço, chamado espaço eletromagnético, por onde trafegam as ondas do rádio.
O representante da sociedade civil no conselho Jonas Valente diz que no Iboc, durante o período de transição - previsto para durar dez anos -, a emissora vai poder ocupar o dobro do espaço que hoje ocupa no espectro. Se, por um lado, elas vão ter a possibilidade de ter diferentes programações simultaneamente, por outro, a limitação de espaço no espectro pode impedir a entrada de novas rádios. “Embora uma rádio possa colocar ali novas programações, você restringe a entrada de novos atores”, diz Jonas Valente.
O ministro das comunicações, Hélio Costa, afirma o contrário. Ele explicou, na última entrevista coletiva concedida sobre o assunto, que o espectro vai aumentar com o Iboc, resolvendo o problema de cidades como São Paulo, onde hoje, com o padrão analógico, já não há mais espaço para novas rádios.
A jornalista e mestre em ciências da comunicação Ana Luisa Zaniboni afirma que “a principal crítica dos engenheiros e especialistas é o caráter reducionista do padrão digital referendado pelo governo brasileiro. Avaliado como um sistema exterminador de espectro, o sinal Iboc ocupa 200 Khz a mais nos canais adjacentes para transmissão simultânea em analógico e digital, nas fases experimental e de transição. Entretanto, ao entrar em operação definitiva, o Iboc passa a incorporar integralmente os 400 Khz anteriormente utilizados, inviabilizando surgimento de novas emissoras”, explica ela no livro “Na Boca do Rádio, o radialista e as políticas públicas”.
O consultor jurídico da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), Joaquim Carlos Carvalho levanta ainda uma segunda questão. Ainda que o espaço seja devolvido, para ser reaproveitado por uma nova emissora, todas as demais terão que mudar a sintonia porque vão expandir e depois recuar. "Vai exigir o reordenamento de todo o espectro. Não vai garantir o mesmo canal", afirma.
Para o representante brasileiro de Políticas de Comunicação da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc), Gustavo Gindre, que também é membro do conselho consultivo do Ministério das Comunicações, “a gente perde uma chance de desconcentrar o mercado. Pelo contrário, pode concentrar ainda mais”.

A Rádio Digital está chegando. O que muda para o ouvinte?

Para ficar por dentro das principais mudanças, sugiro um artigo publicado no site Caros Ouvintes (que aliás vale a visita), escrito por Chico Socorro, profissional de publicidade e marketing.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Definição da rádio digital brasileira está próxima, afirma ministro

A definição do sistema de rádio digital que deverá ser adotado no Brasil está próxima, assegurou hoje, 22 de agosto, Hélio Costa, ministro das Comunicações. Ele afirmou que “nossa rádio digital está na reta final. Até o mês que vem devemos levar à Casa Civil e ao Presidente nossa proposta, elaborada em conjunto com os radiodifusores”. Costa destacou que o Ministério das Comunicações discute com os comitês de tecnologia da Câmara e do Senado, para a elaboração de documento, que deverá ser enviado à Presidência da República, dando subsídios ao presidente para definição do sistema de rádio digital no país. O Minicom também está realizando reuniões, com entidades interessadas na rádio digital a cada 30 dias, para ouvir sugestões. “Na última reunião geral, há três semanas, pedi às entidades que apresentassem um relatório final”, disse Costa. O sistema escolhido “deverá abrir caminho para que possamos resgatar as transmissões de ondas curtas, de maneira digital”, assegurou o ministro. “Temos informações de que um transmissor de 50 MHz de Brasília seria suficiente para cobrir toda a América Latina”

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Rádio digital pode ser anunciada no congresso da SET

No congresso da Sociedade de Engenharia de Televisão que começa nesta quarta, 22, e vai até sexta, 24 de agosto de 2007, no Centro de Convenções Imigrantes em São Paulo, existe a expectativa do anúncio do início das transmissões do rádio digital.

O Congresso SET, realizado desde 1988, pela SET - Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão é o principal evento de tecnologia de broadcast que acontece no Brasil.O Congresso SET atende a proposta mundial da Convergência para os mercados de tecnologia de produção, transmissão, distribuição, exibição e recepção do conteúdo eletrônico audiovisual: Cinema Digital / Internet / Indústria / Produção / Rádio / Telecomunicações / TV Aberta / TV por Assinatura.

Rádio enfrenta o desafio de ser digital

Tecnologia melhora qualidade e traz novos serviços, mas ainda é cara
O rádio brasileiro se prepara para a digitalização. A TV digital já tem data de estréia: 2 de dezembro, em São Paulo. Já o rádio depende de definições do governo. A expectativa é a de que haja algum anúncio durante o evento Broadcast & Cable, que começa na quarta-feira. O País deve optar pelo padrão americano Ibiquity para AM e FM e pelo europeu Digital Radio Mondiale (DRM) para ondas curtas.
A tecnologia digital vai melhorar a qualidade do som, dando ao AM a qualidade do FM atual e ao FM uma qualidade próxima à do CD. O Ibiquity permite a multiprogramação. Ou seja, a transmissão de mais de um programa ao mesmo tempo num único canal de rádio. Emissoras americanas chegam a transmitir três programas digitais e um analógico no mesmo canal. As emissoras podem enviar aos aparelhos mensagens de texto, mostradas no visor do rádio, com informações como nome e intérprete das músicas, previsão do tempo, condições do trânsito e comerciais. Também é possível transmitir pequenos arquivos de imagem.
Os problemas são o preço e a disponibilidade dos receptores. Nos Estados Unidos, onde o rádio digital é chamado de HD (sigla em inglês de digital híbrido), os modelos mais baratos custam US$ 120. Não existem radinhos de pilha no padrão Ibiquity, pois o sistema consome muita energia. Para o mercado brasileiro, onde predomina o ouvinte de baixa renda, essa situação pode ser um obstáculo.
“A digitalização é uma questão de subsistência e de sobrevivência do rádio”, diz Acácio Luiz Costa, coordenador da Aliança Brasileira para o Rádio Digital. “Aos 75 anos, o rádio brasileiro precisa se atualizar tecnicamente. É o meio mais antigo e o último a ser atualizado.” Dezessete emissoras locais já testaram o sistema digital, com tecnologia Ibiquity. “É a única possível e disponível. Discutir tecnologia é uma grande bobagem. Se o sistema não for bom, o consumidor não compra.”
Para Costa, a redução de preço é uma questão de tempo. “O preço está caindo de maneira avassaladora”, disse o executivo. “Hoje, o aparelho custa por volta de 20% mais que o analógico. Até o fim do ano, devem chegar ao mercado americano celulares com receptor de rádio digital.” Ele acredita que a digitalização permitirá ampliar a participação do rádio na publicidade. Segundo o relatório Inter-Meios, entre janeiro e maio de 2007, o rádio teve participação de 4% no bolo publicitário brasileiro, comparada aos 59,5% da televisão e a 16,8% do jornal.
OPORTUNIDADES
Segundo Ronald Barbosa, diretor de Rádio da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), além das 17 emissoras que já testaram o rádio digital, há entre 40 e 50 que importaram o equipamento, mas não testaram os transmissores. Há 4,5 mil emissoras de rádio em operação no Brasil. “Uma vez divulgada a decisão, a expectativa é de que leve um ano para a regulamentação toda estar pronta”, diz Barbosa.
A digitalização cria oportunidades de negócio para as emissoras, como serviços acessórios. Um exemplo, segundo Barbosa, seria indicar no visor a programação da emissora. Outra possibilidade é distribuir informações de texto.
O rádio está em 88% dos lares brasileiros, perdendo apenas para a TV. Cerca de 75% dos receptores são domésticos. Por causa do preço mais alto e ausência do modelo portátil, a expectativa é de que o modelo digital seja adotado primeiro nos carros.
A transição do rádio analógico para o digital deve ser mais simples que da TV, que exige um canal novo para que transmita, simultaneamente, os sinais analógico e digital. Para o rádio, não é necessário. O Ibiquity é um sistema Iboc (sigla de In-Band On-Channel). Ou seja, permite que os dois sinais sejam transmitidos em um só canal. A indústria brasileira ainda não tem previsão de preços para os aparelhos.
(Estadão - 17/8/2007)

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Rádios comunitárias temem perda de espaço com sistema digital

15/08/2007
Alessandra Bastos
Agência Brasil
Brasília - Associações temem que o modelo norte-americano de rádio digital inviabilize a operação das rádios comunitárias no país. A preocupação é que, pela legislação brasileira, a potência máxima permitida a uma rádio comunitária é 25 wattz. No sistema norte-americano, 25 wattz equivale à potência dos ruídos, segundo o representante da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), Joaquim Carlos Carvalho.
“Estarão fora do mercado todas as rádios comunitárias, educativas e as rádios comerciais pequenas. Só vão ficar as grandes emissoras”, alertou Joaquim Carvalho, ao participar hoje (14) de uma audiência pública sobre os procedimentos de outorga, fiscalização e legislação de radiodifusão comunitária, ocorrido na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados.
O modelo norte-americano, chamado de In Band on Chanel (Iboc), está em estudo pelo Ministério das Comunicações. O ministério e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estão analisando o modelo e vão preparar um relatório, a ser encaminhado à Casa Civil e à Presidência da República para aconselhar os padrões que deverão ser implantados no Brasil.
No caso da escolha brasileira pelo padrão Iboc, as rádios comunitárias enfrentariam ainda outros problemas, segundo entidades. “Os equipamentos são extremamente caros e as rádios não têm condições de adquirir”, adianta a representante do Conselho Regional de Radiodifusão Comunitária do Rio Grande do Sul (Conrad-RS), Soraia da Rosa Mendes. “Vão simplesmente deixar de existir. E hoje, já possuem ruído, na rádio digital, não conseguirão atingir a sua faixa”, diz.
O representante da Abraço reclama que “o governo não está seguindo a mesma linha da TV digital em que foi aberto um edital, contratadas universidades que fizeram um estudo e criou-se um sistema brasileiro de TV digital”.
Para ele, no processo de digitalização da TV, “foram incorporadas inovações das nossas universidades, como o MP4 para a compressão do áudio, que todos os outros sistemas vão utilizar. O sistema brasileiro foi usado para melhorar os outros sistemas existentes no mundo”.

Documentário sobre o BigBoy


Lembram do locutor que citei ontem na aula, que revolucionou nos anos 70 a forma de se falar em rádio, criando uma escola que depois foi ampliada pelas FM? O nome dele é Big Boy e neste documentário vocês podem conhecer um pouco mais do trabalho que ele desenvolveu:



Clique e veja:
The Big Boy Show
Documentário De Claudio Dager, Leandro Petersen 20 min
Com: Carlos Townsend, Dr. Silvana, João Pecegueiro Do Amaral, Newton Duarte

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Rádio digital vem aí...

Mas há uma grande discussão em torno do custo do conversor, afora a questão do padrão a ser adotado...Veja mais em A Reunião da Comissão de Ciência e Tecnologia debate o alto custo do rádio digital

Início de transmissão

Até dezembro, vamos falar de:

  • O veículo rádio e suas características
  • O rádio frente a outras mídias
  • As primeiras experiências, a chegada ao Brasil, a primeira emissora
  • A época de ouro do rádio
  • Radiojornalismo: Repórter Esso
  • Diferenças entre AM e FM
  • Futuro do rádio (digital, web radio)
  • Legislação – rádios comunitárias, rádios piratas, rádios na internet
  • Rádios all news x rádios de variedades
  • A linguagem radiofônica (concisão, clareza e coloquialidade)
  • Linguagem oral x linguagem radiofônica
  • A credibilidade do rádio (ao vivo x gravado)
  • Companheirismo, identificação, utilidade pública e serviço
  • O texto no rádio; normas de redação e suas aplicações
  • A notícia e os critérios de seleção (público-alvo)
  • Tipos de notícia (matéria com/sem sonora)
  • Reportagens
  • Formas de transmissões informativas – flash, edição extraordinária, especial, boletim, jornal, informativo especial, variedades)
  • Apresentação de programas jornalísticos
  • Expressão da opinião: entrevistas e debates (gravados e ao vivo)
  • Roteiro de programas ao vivo/gravados
  • Radioteatro (esquete, peça completa, seriado de aventuras, rádio-novela)
  • Esporte no rádio
  • Música, diversão & arte.

E no final, os alunos fazem um programa de rádio com uma hora de duração

Bem-vindo ao curso de Criação Radiofônica

Este é o blog do curso de Criação Radiofônica da Escola de Comunicação da UFRJ.

Este curso pretende trabalhar as possibilidades da linguagem para rádio e outras mídias sonoras.
Oficialmente, a ementa diz o seguinte:
Formas e possibilidades expressivas da linguagem sonora.
O rádio como arte do tempo.
A linguagem escrita e a linguagem falada.
Valores e características do meio rádio.
Estrutura do texto radiofônico.
Prática de redação, improviso e interpretação.

Fique ligado!

Quem é o radialista?

Quer conhecer o que faz um radialista? Como foi definida a profissão? Quais as funções que um radialista pode exercer? Acesse http://www.sintertmg.org.br/manualdo.htm.
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